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Por que não é possível estudar diretamente o interior da Terra

 
Por Maria Antônia Rocha. 24 janeiro 2022
Por que não é possível estudar diretamente o interior da Terra

Apesar de a ciência já ter a resposta para muitas questões fundamentais sobre a estrutura terrestre e como ela funciona, muitas perguntas ainda estão em aberto quando o assunto é o interior da Terra. Ainda que se tenha conhecimento suficiente sobre o globo para entender que ele é formado por uma estrutura rochosa e que conta com diferentes camadas, ainda não é possível saber com precisão o que existe no chamado núcleo terrestre - o interior da Terra. Se você tem interesse por Ciências e quer descobrir mais sobre a estrutura do planeta, além de ter a resposta para a pergunta por que não é possível estudar diretamente o interior da Terra, continue lendo este artigo que nós do umCOMO preparamos para você.

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A estrutura da Terra

O primeiro passo para entender por que não é possível estudar diretamente o interior da Terra é dar um passo atrás e conhecer as características da estrutura do nosso planeta. É consenso geral entre os cientistas que a estrutura rochosa da Terra é formada por três camadas, que possuem características diferentes entre si. São elas:

  • Crosta terrestre: é a camada mais externa da Terra, onde acontecem as atividades humanas. É nela em que conseguimos perceber as modificações rochosas do relevo e todas as transformações morfológicas pelas quais o planeta passa. Ela também é a menor entre as três camadas e está em constante modificação por conta de agentes internos e externos. Ao contrário do que se pode pensar, a crosta não é formada por uma camada uniforme de terras, mas sim por várias partes menores, as chamadas placas tectônicas, que estão em movimento. É por causa da movimentação dessas placas que ocorrem mudanças no relevo terrestre, como a formação de vulcões e montanhas, além de fênomemos naturais - terremotos e tsunamis, por exemplo.
  • Manto: na camada intermediária do planeta, que tem cerca de 2.900km de extensão, é que está 84% da densidade da Terra. Isso porque o manto é composto por rochas intermediárias, que por sua vez são feitas de minerais, como silício e magnésio. A camada é, ainda, dividida em duas: o manto superior e o inferior. No manto superior, as rochas estão em estado pastoso e com temperaturas menores. É esse material que é expelido pelos vulcões em forma de lava quando ocorrem erupções, além de ser o responsável pela movimentação das placas tectônicas. Já no manto inferior a matéria rochosa está em estado líquido, podendo chegar a temperaturas tão altas quanto 2000° C.
  • Núcleo: já o núcleo é a camada mais interna do planeta, e também a mais inexplorada. Há um consenso na comunidade científica de que ela é basicamente formada por ferro e níquel e chega a temperaturas extremas, principalmente em seu interior. Mas por que não conseguimos ter respostas tão precisas sobre a composição e funcionamento do núcleo?

Por que não é possível estudar diretamente o interior da Terra

A ciência já desvendou inúmeros mistérios, entendeu o funcionamento do universo e encontrou a resposta para tantas questões que por séculos foram pontos de dúvidas para os seres humanos. Mas, com todo o avanço tecnológico e científico, por que não é possível estudar diretamente o interior da Terra?

A resposta para essa pergunta é simples: as próprias condições naturais do núcleo terrestre dificultam a chegada dos cientistas a ele. Temperaturas tão extremas quanto 6000°C, equivalentes àquelas encontradas na superfície do Sol, e alta pressão são alguns exemplos dos motivos que impedem a ciência de fazer uma viagem de campo e explorar mais a fundo a camada mais interior da Terra.

Para além da impossibilidade de estudar o núclo através da presença humana, os equipamentos tecnológicos também não têm estrutura suficiente para perfurar tão fundo a ponto de chegar ao núcleo. Mesmo o manto, a camada que está entre a crosta e o núcleo, ainda é bastante inexplorado pela ciência por conta dos mesmos motivos.

De acordo com o pesquisador Vedran Lekic, da Universidade de Maryland, explorar o interior terrestre é mais desafiador do que o universo. "Nós exploramos outros planetas mas, de várias maneiras, entrar no interior da Terra e entender o que existe lá é na verdade mais difícil tecnologicamente do que ir para o espaço", disse ele em entrevista à Discover Magazine.

O sismólogo ainda compara o estudo do interior terrestre com a forma que usamos raios x no corpo humano, através do qual conseguimos ver as diferentes densidades dos órgãos, músculos e ossos: "Não conseguimos usar raio x no interior da Terra porque eles não chegam até lá", conta. Em vez disso, é preciso utilizar outros recursos para desvendar esse mistério.

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Como os cientistas conseguem estudar o interior da Terra

Nesse ponto, você pode estar se perguntando como os cientistas estudam o interior da Terra, já que não conseguem chegar até ele. Algumas respostas estão nas seguintes descobertas científicas:

  • Atividade sísmica: o estudo das ondas sísmicas é o principal recurso utilizado pela ciência para entender as camadas mais internas da Terra. Utilizando o conhecimento a respeito de como as ondas sísmicas viajam pelo planeta durante e após os terremotos, os cientistas conseguem presumir algumas características do núcleo através da observação por sismômetros e modelagem em computador. A velocidade das ondas, por exemplo, é afetada pelo material pelo qual elas passam, então medir a velocidade ajuda a descobrir que tipos de materiais compõem o interior terrestre.
  • Rochas e minerais: experimentos laboratoriais em rochas e minerais são outra forma de estudar as camadas terrestres. Isso porque as movimentações geológicas deixam vestígios, pedaços de estruturas de outras camadas da Terra que podem ser analisadas pela ciência. O estudo de meteoritos também fornece boas pistas a respeito da composição terrestre, já que eles trazem evidências sobre as origens do sistema solar e, consequentemente, do planeta. É possível, inclusive, simular condições adversas como as do núcleo terrestre e observar como as rochas reagem a elas, o que traz mais algumas respostas a respeito do funcionamento do interior da Terra.
  • Evidências magnéticas e gravitacionais: usando a gravidade como base, é possível calcular a densidade do interior terrestre, principalmente quando combinado com o valor da massa terrestre. O estudo do campo magnético também é outra pista que indica para os pesquisadores que o núclo é composto por matéria líquida.

Se gostou deste conteúdo, que tal conferir nosso outro artigo sobre Quais são as camadas da Terra?

Se pretende ler mais artigos parecidos a Por que não é possível estudar diretamente o interior da Terra, recomendamos que entre na nossa categoria de Ciência.

Bibliografia
  • SCIENCING. How do scientists know the structure of the Earth's interior. Disponível em: <https://sciencing.com/do-scientists-structure-earths-interior-8695198.html> Acesso em: 15 de janeiro de 2022
  • NATIONAL GEOGRAPHIC. Earth's Interior. Disponível em: <https://www.nationalgeographic.com/science/article/earths-interior> Acesso em: 15 de janeiro de 2022
  • DISCOVER. How we know what's deep inside the Earth, despite never travelling there. Disponível em: <https://www.discovermagazine.com/planet-earth/how-we-know-whats-deep-inside-the-earth-despite-never-traveling-there> Acesso em: 15 de janeiro de 2022

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